Embaixada da República Checa em Lisboa

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Exposição MOMENTOS DE VIDA de Jindřich Štreit no Arquivo Fotográfico de Lisboa.

A EMBAIXADA DA REPÚBLICA CHECA EM LISBOA convida para a projeção de vídeo MOMENTOS DE VIDA na ocasião do encerramento da exposição do fotógrafo checo Jindřich Štreit. Arquivo Fotográfico, na sexta-feira 30 de Março às 17h. CONVITE em anexo.

 

Convite

Momentos de Vida

A EMBAIXADA DA REPÚBLICA CHECA EM LISBOA convida para a inauguração da exposição do fotógrafo checo Jindřich Štreit. Arquivo Municipal de Lisboa - núcleo fotográfico, a 16 de Fevereiro às 19h, com a presença do autor. Visita guiada pelo autor a 17 de Fevereiro às 14:30h. CONVITE em anexo.

 

Momentos de VidaConvite

 

 

 

 

 

Jindřich Štreit  - Momentos de Vida

            A obra de Jindřich Štreit, apesar da sua organização em ciclos parciais, com delimitação temática e temporal, é sobretudo um trabalho sistemático num único e amplo conjunto. A maior parte das suas fotografias representa imagens da aldeia, da vida privada e das relações entre as pessoas, imagens que se considera serem a contribuição mais original deste importante fotógrafo checo. As imagens do meio em que vive, ou seja da zona de Bruntál, na região Morávia-Silésia, no nordeste da República Checa, passaram a integrar a história da fotografia checa. No reduzido espaço de umas poucas localidades, conseguiu captar a aldeia colectivizada socialista do período do socialismo real, exprimindo a sensação da época e trazendo uma particular mensagem de autor sobre o destino do homem. 

          Não será demasiado exagerado dizer que Jindřich Štreit descobriu a aldeia checa para a fotografia mundial. Ninguém fotografou o meio rural checo durante tanto tempo e tão consequentemente como ele. A tradição checa das artes plásticas apresenta-nos vários outros conceitos famosos da aldeia, mas ao contrário dessas imagens de certa maneira idílicas, Štreit mostra a aldeia socialista colectivizada. As suas imagens carecem de visão nostálgica, romântica ou folclórica, faltando a menor ambição de registar os costumes e os rituais rurais específicos. A sua obra não é pastoral. Não cria uma imagem de um refúgio rural idealizado ou lugar de uma fuga perante a realidade e complexidade da vida urbana. Talvez porque não é oriundo da cidade. Viveu onde fotografou e graças a isso abordou o tema de forma diferente da habitual fé primária na pureza ética e patriarcal do povo rural e da sua vida.

             Nas fotografias de Štreit raramente está sol. Mais propriamente impera o intemporal. O carácter lamacento e melancolicamente embrumado das suas imagens é potenciado pelo facto de serem tiradas com uma luz suave ou com o céu coberto e, sobretudo, pelo processamento mais contrastante das ampliações a preto e branco, típico de Štreit. Retrata os antigos Sudetas, onde a população alemã, expulsa após a segunda guerra mundial, foi substituída por imigrantes de várias partes da república, muitas vezes das cidades, ou seja, na maioria dos casos pessoas com relações quebradas com as suas tradições e, às vezes, sem uma relação profunda com o seu novo lar. O seu desenraizamento é quase omnipresente nas fotografias de Štreit. O tempo agreste da região fronteiriça de Bruntál leva a que as pessoas andem o ano inteiro de casaco de trabalho acolchoado e de botas de borracha e as mulheres de lenço na cabeça.

            Logo desde o início do seu interesse sistemático pela aldeia, aparecem na sua obra motivos como o abraço, os cigarros, o álcool, as reuniões, as eleições, a televisão, as crianças e os animais domésticos ou de criação. Nas suas imagens aparecem frequentemente pessoas idosas, consequência demográfica da extinção das aldeias da montanha e fronteiriças. Muitos motivos também remetem ao abandono das tradições e da organização rurais. São omnipresentes a destruição, a perda dos valores culturais e a quebra dos laços rurais tradicionais.

          Como um fluxo homogéneo, às vezes potente e outras vezes apenas pressentido como um ribeiro subterrâneo, o comentário político da época atravessa as imagens de Štreit. Enquanto a organização da comunidade rural original se cimentava através das diferentes celebrações que tinham origem no ciclo das estações do ano, a comunidade da aldeia socialista desenvolvia-se nas reuniões ou sessões de formação, renovando-se regularmente através da participação nas eleições. As teses proclamadas sobre a construção de uma sociedade melhor, os discursos indispensáveis dos políticos e os relatórios sobre os êxitos alcançados criaram uma realidade bizarra autónoma contrastante com as preocupações do dia a dia…

T. Pospěch

Texto integral em anexo.

 

Organização: Embaixada da República Checa em Lisboa em parceria com a Câmara Municipal de Lisboa.

Apoios: Škoda, Casinha do Pão.

 

Escreveram sobre a exposição: Expresso - Fotogaleria; Jornal de Letras nas crónicas de Jorge Listopad.

Anexos

Exposicao Jindrich Streit - press momentos 219 KB PDF (Documentos Adobe PDF) 22/Fev/2012

Exposicao Jindrich Streit - convite 1 MB JPG (Imagem / Foto) 22/Fev/2012