Embaixada da República Checa em Lisboa

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Instalação da artista checa Jana Matějková no bairro de Belém. Inauguração da exposição da arte urbana do projecto Vicente a 10 de Setembro.

A EMBAIXADA DA REPÚBLICA CHECA EM LISBOA CONVIDA para a inauguração da instalação de Jana Matějková numa das travessas do bairro de Belém, Lisboa. A artista checa foi convidada para o projecto Vicente que está integrado no programa Lisboa na Rua. A inauguração da exposição da arte urbana na Travessa do Marta Pinto e área circundante é no dia 10 de Setembro de 2011 às 18h.

VICENTE, Um Projecto da Travessa da Ermida

Excerto do programa (programa inteiro e mais informações em anexo):

10.9.2011 18h - Inauguração da Exposição na Ermida N.ª Sr.ª da Conceição e área circundante, lançamento do livro Vicente (Travessa do Marta Pinto, perpendicular à Rua de Belém)

11.9.2011 16h - Conversa com os artistas

17.9., 1.10., 15.10 17:30h - Passeios em Belém com guias interessantes


Vicente - pozvánka

"Ao longo da Travessa do Marta Pinto, a artista checa Jana Matejkova propõe-se decorar a rua como se o espírito de Praga tomasse conta das tradições decorativas dos bairros populares, como se A Metamorfose de Kafka fosse chamada a inspirar o fado, num encontro mútuo com a magia. A intervenção invade de sombras o sol do dia e transforma a noite num esvoaçar de misteriosos laivos de luz."

"Relação entre a escuridão e melancolia de Kafka, descrevendo de alguma forma a proximidade que tem com o fado e a magnificência e magia da cidade de Lisboa."

Jana Matějková

Jana Matejkova, uma artista da instalação, aborda as duas travessas de acesso, com destaque para a Travessa do Marta Pinto, a partir da tradição dos bairros populares, em Lisboa, de decorar as ruas com ornamentos em papel colorido. Oriunda da República Checa e de Praga (a cidade de um 'corvo' histórico-mítico - 'kafka'), a artista inverte a tradição ornamental colorida e realiza dois 'túneis' traçados como uma experiência do Negro, uma silenciosa epifania de um qualquer Negativo. A componente luz decorrerá da utilização de luz negra. Materialmente, tratar-se-á de explorar o carácter estreito da rua para criar traçados de sombras em suavemovimento.


Metamorphosis

Esta obra é inspirada pelo romance de Kafka, Metamorfose. A artista pretende, através desta instalação, explorar o diálogo existente entre Lisboa e os corvos, simbolizando guardas inteligentes, e metamorfose, a transformação de uma forma de vida noutra, o aprisionamento entre a forma da vida e a forma da arte. A escultura será criada a partir de duas formas que se complementam. Oscorvos têm uma grande capacidade de adaptação a novosambientes (vivem em todos os continentes do nosso planeta). Jana Matejkova inspirou-se no forte instintode sobrevivência destes animais e na sua capacidade de adaptação (recentemente foram treinados alguns corvos para ajudar pessoas em certas situações). A primeira parte da escultura é composta por uma forma geométrica monumental (aprox. 8 x 2 x 2m) pendurada, com fitas Tyvek (de um lado brancas e do outro pretas). Pretende-se que venha a criar sombra, de forma a proteger as pessoas de dias de sol quente. Ao mesmo tempo, naturalmente, cria um jogo de sombras na rua que se encontra em mutação ao longo do dia. A segunda parte da escultura é composta por duas luzes oscilantes em gaiolas, dois olhos que nos observam (os corvos são conhecidos por viver muito perto das pessoas; fazem ninho no máximo a 50 km dos seres humanos). Assim sendo, eles estão sempre aqui, vivem connosco, observam-nos! (UV preta ou vermelha). Visualmente, a artista tem o objectivo de criar uma ligação entre a escuridão e a melancolia da escrita de Kafka, baseando-se na relação que encontra entre a atitude do escritor a história do Fado e a magnífica atmosfera mágica da cidade de Lisboa. JM

Vicente - J. Matějková

Vicente - J. Matějková


 

Cultura de cidade, Arte urbana

Belém, 10 Setembro a 25 Outubro 2011

Os corvos – tradicionalmente chamados ‘Vicentes’ – são um importante símbolo da cidade de Lisboa. Discretamente, fitam-nos dos brasões suspensos nos candeeiros de rua, nas bandeiras oficiais, mas têm estado ausentes da memória colectiva. Agora, o projecto Travessa da Ermida decidiu ‘dar asas’ ao Corvo de Lisboa, num projecto de cultura urbana, arte pública e edição, com a participação de criadores internacionais e desenvolvido em parceria com várias entidades, instituições e empresas. Vicente é o desassossegar cosmopolita da imaginação.

Vicente – projecto de cultura urbana

Vicente é um projecto de cultura urbana dedicado à zona ribeirinha de Belém, integrando a rua, a paisagem e a imagem de Lisboa num conjunto de intervenções de arte contemporânea realizadas na Ermida Nossa Senhora da Conceição, e ao longo da Travessa do Marta Pinto e imediações. 

Vicente é a revisitação internacional e cosmopolita dos Corvos de Lisboa, actualizando o sentido deste importante símbolo da Capital. Promovida pelo Projecto Travessa da Ermida, a iniciativa pretende desassossegar a identidade contemporânea de Lisboa, promover valores turísticos e oferecer novos motivos para a deambulação do público, entre lugares históricos e recantos sem nome, pela Freguesia de Belém. Vicente é erudito e popular, quotidiano e mítico, intemporal e contemporâneo.

Vicente decorre de 10 Setembro a 25 de Outubro, com intervenções artísticas no espaço público durante Setembro e Outubro, um programa de passeios psicogeográficos e conversas soltas na Enoteca de Belém. (sábados, datas a anunciar). E o lançamento de uma peça de joalharia adjacente a esta temática e produzida pela joalheira Alexandra Corte Real que ocupa a oficina de joalharia integrante do Projecto Travessa da Ermida.

Na tarde da inauguração, será apresentado o livro Vicente, Lisboa, Belém. A obra coloca em diálogo ficção e ensaio, com textos de José Sarmento de Matos, Nélson Guerreiro, Luís Oliveira e Silva, Pedro Gadanho e Mário Caeiro, autor do conceito. 

As visões poéticas, míticas, históricas, artísticas ou urbanísticas são integradas num ensaio gráfico do atelier Silva Designers, os autores das celebradas sardinhas das Festas de Lisboa.

Vicente, arte e cidade – o programa

Na ábside da Ermida, à Travessa do Marta Pinto em Belém, o artista britânico Simeon Nelson, dedica a São Vicente um Relicário contemporâneo. Nesta evocação escultórica, o objecto é um sistema modular que sintetiza geometria ornamental, espiritualidade cristã e design industrial, trazendo corpo, paradoxalmente, à imaterialidade do mito religioso.

Na fachada, multiplicar-se-ão Vicentes. Obsessivamente, a preto e branco, mudos, apenas ao som do riscar do papel. Os desenhos, que se espalharão por outros locais da cidade, são de João Ribeiro, num projecto de disseminação de imagem realizado em parceria com Nuno Maya e Carole Purnelle.

Ao longo da Travessa do Marta Pinto, a artista checa Jana Matejkova propõe-se decorar a rua como se o espírito de Praga tomasse conta das tradições decorativas dos bairros populares, como se A Metamorfose de Kafka fosse chamada a inspirar o fado, num encontro mútuo com a magia. A intervenção invade de sombras o sol do dia e transforma a noite num esvoaçar de misteriosos laivos de luz.

Nas imediações, outros mo(nu)mentos efémeros estimularão a imaginação, desenvolverão a curiosidade pela arte e certamente o interesse pelos Corvos que Lisboa merece lembrar. 

Vicente – Conceito e sustentabilidade

Enquanto foco de criatividade e cidadania cultural, Vicente desenvolve três linhas de orientação para a arte e a cultura urbanas:

Âncora de desenvolvimentos projectuais extra-artísticos, é uma plataforma de parcerias de empreendedorismo nos campos da comunicação, do turismo, da edição, do design e das artes, através da dinâmica de uma Marca.

Leitmotiv de cultura visual contemporânea, não deixa de colocar questões como as da qualidade, animação e vivência da imagem do espaço urbano, no quadro de uma identidade complexa mas de que se procura revelar os traços mais sugestivos.

Programação de ambientes e cenografias, Vicente traduz a cidade em momentos de afecto e revelação, num corpo a corpo com a arte pública. Assim se desvela o carácter e a potencialidade de espaços e vistas, no contacto directo entre urbanismo cultural e o dia-a-dia.

Vicente – o nome

Vicente é o nome do santo padroeiro da cidade, cujo corpo martirizado chegou ao Tejo acompanhado de dois corvos que nunca deixaram de sobrevoar o navio, desde Sagres. O brasão de Lisboa ainda hoje nos recorda a lenda. Vicente terá sido também o nome do avô de Santo António. E Vicente é o nome que se dava invariavelmente aos corvos que habitaram o quotidiano lisboeta, à entrada de tabernas e mercearias. 

Vicente é o nome de uma personagem no projecto literário de José Sarmento de Matos, que tem inventado Lisboa através dessa figura, guiando-nos intemporalmente através dos devaneios da memória. Vicente é aquele que vence. E, agora, Vicente é também nome de projecto. Memória, mito, criatividade, futuro, Vicente é a batida do desassossego.

 

Anexos

Vicente_PT 3 MB PDF (Documentos Adobe PDF) 30/Ago/2011